Ética: Confidencialidade vs Direitos Humanos

Decorreu ontem, no Porto, o II Simpósio Nacional “Desafios do Profissional de Serviço Social”, no qual tive a oportunidade de apresentar uma comunicação sobre a temática da “Ética e Deontologia no Serviço Social” (que estará brevemente disponível aqui).

Para além de aspectos já anteriormente (aqui e aqui) abordados, centrei a minha intervenção nas metodologias de tomada de decisão ética. Uma das metodologia apresentadas (Dolgoff, Loewenberg & Harrington, 2005), os autores apresentam uma hierarquia de princípios éticos onde a confidencialidade surge como o sexto princípio mais importante.

Após a apresentação, tive a oportunidade de conversas com uma colega, que me expôs a sua não concordância com o apresentado, sustentando a primazia do princípio da confidencialidade. Disse, na comunicação, que “embora de extrema importância, o princípio da confidencialidade poderá ser quebrado quando outros princípios mais alto (os da hierarquia) se levantem“.

Esta situação (a não primazia da confidencialidade) deve-se, essencialmente, ao enquadramento da profissão na própria definição apresentada pela IFSW (disponível também no site da APSS), ou seja, o facto dos “princípios dos direitos humanos e da justiça social [serem] fundamentais para o Serviço Social.“. Por outras palavras, os princípios apresentados numa posição superior ao da confidencialidade na referida hierarquia, têm como base estes princípios fundamentais da profissão.

Mas o debate é necessário, principalmente num momento em que se tenta a criação duma ordem em Portugal, e que irá nortear/supervisionar uma prática deontológica correcta. Estará a confidencialidade acima de quaisquer outros princípios ou poderá ser quebrada nos momentos em que os direitos humanos estiverem em causa?

Falo, por exemplo, de situações como o perigo para a vida humana de terceiros, o abuso a menores, entre outros. Deveremos aqui manter a confidencialidade? Mesmo que tal signifique contrariar os direitos humanos e a justiça social?

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19th World Conference of Social Work

disponível a listagens das comunicações (orais e posters) aceites para a conferências.

15/4 – Dia Mundial do Serviço Social

Dia Mundial do Serviço Social

 

Programa (APSS)
assembleia geral ordinária [17 h]
assembleia geral extraordinária [18 h]
jantar de confraternização [20 h]

evento cultural (Associação Vo’arte) “Arquivar” espectáculo transdisciplinar, de Ana Rita Barata e Pedro Sena Nunes, com a participação especial de Mariana e Marta Nunes [19.30 h]. “Quadro Flamenco” com Sofia Abraços [22 h]

O objectivo desta realização é promover a confraternização entre @s associados e @s assistentes sociais em geral, mas também a angariação de fundos que permitam financiar o estudo requerido para a criação da Ordem dos Assistentes Sociais. Sem a adesão e contribuição de tod@s não será possível atingir este objectivo. Este momento exige a mobilização total da classe profissional para um novo patamar de representação e defesa da profissão.
Preço do jantar 30 € (sócios) 35 € (não sócios) Inclui o espectáculo. Local: Centro Ismaili de Lisboa Av Lusíada (próximo da Universidade Católica e da Loja do Cidadâo de Benfica acesso a estacionamento)
Inscrições até 10 de Abril 2008 (
apss_dn@yahoo.com). Pagamento no acto de inscrição (indique: Nome, nº Sócio, Telef., Email; Forma de pagamento – cheque (nº e banco), TB NIB 0036 0065 9910 0061 68157). Info: http://www.apross.pt/

II Simpósio Nacional: Desafios do Profissional de Serviço Social

VER AQUI O PROGRAMA

Boas e Más Notícias

Boas Notícias:

  • A nova página da APSS não apresenta como “código de ética” a tradução do antigo código da IFSW.

Más Notícias:

  • A nova página da APSS apresenta como “código de ética” a tradução do actual código da IFSW.
  • Tudo o resto do que aqui digo se mantêm.

Marquem na Agenda…

dia 22 de Abril de 2008, no Porto…

II Simpósio Nacional: Desafios do Profissional de Serviço Social

mais informações brevemente

Serviço Social – Inscrição e Acção

Os modos e os conceitos a partir dos quais nos inscrevemos definem, ou deveriam definir, os espaços que participamos. Por exemplo, não sendo impeditivo, no entanto será um pouco incompreensível ver alguém cuja matriz se inscreve em convicções anárquicas defender a existência de uma Ordem Profissional. Ordem, de organizar, de cosmos, versus caos. Isto é, se todos formos mais coerentes e inscrevermos os pensamentos nas acções será mais fácil perceber os caminhos diversos que uma profissão pode trilhar, quer ideologicamente, quer teoricamente.O inverso, a não inscrição, a inscrição anódina, produz um conjunto de equivocos e processos hibridos que mais tarde ou mais cedo desembocam em desestruturações ao nível relacionamento inter pessoal, que se reflectem institucionalmente.

Sem dúvida que ninguém é luz ou sombra, podemos ser diversas coisas, mas também será evidente que a coerência é um factor de iluminação pessoal e social e nos tempos que correm marca a diferença, servindo igualmente para não vendermos gato por lebre.

Os processos devem ser encarnados na sua essência por quem essencialmente vive essa paixão, como aliás sublinhou Fernanda Rodrigues  no site, e a paixão deverá ser correspondente com inscrição, clarificando as dimensões de pertença.